Os cuidados que ajudam a diminuir os gastos com saúde

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Como tentar evitar os gastos exorbitantes noticiados aqui

O aumento de renda da população brasileira, o desenvolvimento de novos tratamentos e o envelhecimento da população brasileira são considerados por especialistas fatores de relevância que vão impulsionar os gastos com saúde no país nos próximos anos. Essa conta terá de ser dividida entre o governo, as operadoras de planos de saúde e as pessoas físicas.

No entanto, existem algumas providências que podem ajudar a controlar e até mesmo reduzir esses gastos. Atividades físicas e bons hábitos alimentares são algumas das medidas que podem contribuir para o equilíbrio da saúde de uma pessoa. E as conseqüências são mais que positivas.

Claudio Tafla, gerente médico da diretoria técnica da Amil, explica que ao apostar em cuidados preventivos com a saúde, desde alimentação regrada até a periodicidade das atividades físicas, é possível que esses cuidados sejam traduzidos em retorno financeiro. A pessoa poderá, por exemplo, economizar com consultas e exames não cobertos pelos planos ou outras despesas que são do custo do único e exclusivo do paciente, com medicamentos.

E a operadora mostra, através de números coletados desde 2001, que mudanças nos hábitos de um grupo de 215.000 clientes da sua carteira, que participam do programa de promoção da qualidade de vida, contribuíram para a redução na internação destas pessoas .

Dentre pacientes com hipertensão, por exemplo, a porcentagem de internações dos que seguem o programa é quase 50% menor que aqueles que não participam. "O programa aposta na reeducação alimentar, incentivo a atividades físicas e eliminação do tabagismo", explica Tafla, que ainda considera que a maneira mais eficaz de diminuir custos com a saúde é a aposta na qualidade de vida.

Isso não significa que qualquer paciente poderá abrir mão de contratar um plano de saúde. Boa parte das pessoas, no entanto, poderá racionalizá-los. Vice-Presidente do Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (CEBES), Luiz Antonio Neves usa como exemplo o caso das gestantes. Segundo ele, ao realizar exames preventivos, como o pré-natal, a mulher evita gastos com possíveis infecções urinárias, hipertensão arterial, diabetes gestacional e uma série de outros problemas de saúde.

Ainda de acordo com Neves, o mesmo processo pode ser verificado em crianças recém-nascidas. "Uma criança que recebe todas as vacinas em dia, no momento adequado, adoece muito menos. O que no futuro pode se traduzir em menos gastos com medicamentos e exames que poderiam ter sido evitados."

Vida ativa

Além das providências médicas preventivas, a importância de uma vida fisicamente ativa para a melhora na qualidade de vida e na saúde das pessoas é outro fator que diminui consideravelmente a incidência de doenças. Estudo conduzido pelo CEBES revela que a incidência de doenças crônicas associadas à inatividade física é responsável, anualmente, por cerca de 2 milhões de mortes em todo o mundo.

No contexto do sedentarismo como problema de saúde pública, a tendência é que governos municipais, estaduais e federal invistam cada vez mais na promoção da saúde e qualidade de vida, pois já existe a consciência de que uma vida ativa, do ponto de vista de atividades esportivas, ajuda a reduzir os gastos que as instituições públicas tem com a saúde, conforme explica Jorge Steinhilber, presidente do Conselho Federal de Educação Física (Confef).

Ele diz que a implementação de planos de conscientização é um dos grandes projetos das políticas públicas no setor da saúde, uma vez que impactam positivamente na economia que os governos podem obter com a redução em atendimentos hospitalares e ambulatoriais. "Pesquisas já comprovaram que para cada real gasto em investimentos em atividades físicas, por exemplo, há a economia de três reais em atividades econômicas relacionadas à saúde", diz.

Experiências realizadas por consultorias especializadas em gestão da saúde nas empresas comprovam que, através da conscientização de seus funcionários e o acompanhamento constante daqueles considerados doentes crônicos, é possível reduzir os gastos, diz Vera Brejatto, presidente da Victory Consulting, consultoria do setor.

O maior indicador dos gastos que as empresas que oferecem benefícios de saúde aos funcionários têm com as operadoras é o índice de sinistralidade, que as próprias operadoras repassam aos gestores. A partir deste índice, explica Vera, é possível identificar qual a frequência de utilização do plano por parte dos funcionários e todas as despesas médico-hospitalares utilizadas.

Segundo Vera, depois deste mapeamento, uma equipe multidisciplinar, que envolve médicos, educadores físicos, fisioterapeutas, nutricionistas e outros profissionais da saúde são destacados para um trabalho de conscientização dos funcionários. "Depois de certo período, é muito claro que os funcionários que mais usaram o plano de saúde foram aqueles que não participaram do programa", conclui Vera.

Um exemplo de como a qualidade de vida dos funcionários pode impactar positivamente nos lucros da empresa é a economia que as mesmas podem obter uma vez que a equipe esteja devidamente conscientizada do quão importante é manter um estilo de vida saudável, com alimentação regrada, exercícios físicos e atendimento médico de caráter preventivo. "Já tivemos como cliente uma empresa com 5.000 funcionários que conseguiu economizar 36 milhões de reais em um ano após implementar o programa de promoção de saúde e qualidade de vida", diz.

Conceito semelhante de medidas preventivas pode ser aplicado no âmbito das pessoas físicas. Fábio Abreu, presidente da Axis Med, consultoria especializada no gerenciamento de doentes crônicos nas empresas, explica que o processo de conscientização através de cartilhas e palestras tem um efeito quase imperceptível na forma como o funcionário encara seus problemas de saúde ou absorve a importância de cuidar tanto do corpo quanto da mente. "Mas quando se atua em programas de mudanças de hábitos, o resultado é positivo", diz.

Em se tratando dos custos que as pessoas físicas têm com planos de saúde, ele considera a importância da conscientização coletiva para o bom uso do plano como a única maneira possível de economizar. "Cerca de 80% das pessoas que vão ao pronto socorro não precisam estar lá", afirma.

Fonte: Exame

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