Queixas contra planos de saúde crescem 75%

argaiv1022

Além das operadoras, consumidores reclamam do serviço em hospitais e até de consultórios médicos.

Ter plano de saúde nem sempre significa tranquilidade. Não para de crescer o número de queixas nos órgãos de defesa do consumidor. Em 2009, foram registradas 809 reclamações no Procon Estadual. No ano passado, foram 1.416. Um aumento de 75%.

Os motivos para tanta dor de cabeça para o consumidor são muitos. As denúncias são relacionadas a problemas no contrato, reajuste abusivo, cobrança indevida e negativa de cobertura.

E agora, além de denunciar as operadoras de saúde, os consumidores também fazem queixas relacionadas ao atendimento em hospitais e até consultórios médicos.

Segundo a diretora jurídica do Procon Estadual, Lorena Tamanini, a situação da saúde suplementar no Espírito Santo está preocupante.

"No ano passado, tivemos problemas sérios com o fechamento de alguns planos. Duas operadoras entraram em falência no Estado e deixaram os clientes sem qualquer apoio. Agora, estamos cobrando da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) uma solução, porque esses consumidores não podem ficar desamparados", destaca a diretora.

Não há médicos

Segundo Lorena, outro ponto muito questionado foi a falta de profissionais. "Recebemos denúncias de pessoas que fizeram um plano de saúde, receberam um caderninho com o nome dos médicos associados e quando foram marcar consulta não conseguiam encontrar um profissional credenciado. Isso aconteceu principalmente no setor pediátrico, por causa do desligamento de vários profissionais de alguns planos", acrescenta.

O ano passado também foi época de queixas sobre planos coletivos. Muitos micro e pequenos empresários que resolveram aderir ao serviço para uso próprio, da família e também dos funcionários, precisaram procurar as entidades de proteção ao consumidor por conta dos reajustes.

"Os planos coletivos não são fiscalizados e administrados pela ANS. Por isso, além do aumento anual, algumas empresas aplicaram outras correções. Quem contratou o serviço por achar mais barato que o individual acabou sendo prejudicado".

Outra questão que voltou à tona no ano passado foi o reajuste por faixa etária. Denúncias sobre aumento abusivo em planos de idosos continuaram a aparecer no Procon. Hoje, o órgão tem, no Estado, duas ações civis públicas contra duas operadoras.

Ano de mudanças. 
Assumem hoje três diretores e o novo presidente do conselho de administração da instituição

As principais reclamações

Problemas com contrato.
A maioria das queixas nos Procons está relacionada aos problemas com contrato. Muitas vezes as empresas não cumprem o que está combinado. Nesse caso, o jeito é pedir reembolso, caso precise fazer um exame ou um atendimento médico que o plano diz não ser obrigado a oferecer.

Negativa de cobertura.
Esse é o segundo motivo de reclamações. Muitos planos negam alguns exames para os clientes. O consumidor que passar por isso deve fazer uma denúncia formal no Procon e na Agência Nacional de Saúde Suplementar. Em caso de emergência, o consumidor pode procurar o Juizado Especial.

Reajuste por faixa etária. 
Algumas operadoras insistem em fazer reajustes abusivos para quem tem mais de 60 anos. O Procon tem ações contra duas empresas. Quem tiver o custo aumentado de forma abusiva pode fazer a denúncia.

Planos coletivos.
Como esses serviços não são regulamentos pela ANS, as operadoras, além do reajuste anual, aplicam outras correções. O consumidor deve denunciar o reajuste abusivo.

Cobrança indevida.
Se o plano deixou de cobrar a coparticipação de um cliente por algum tempo e quer cobrar todo valor de uma vez, o consumidor tem direito de negociar a forma de pagamento. A dívida deve ser parcelada, sem juros e multa.

Aposentada recebe conta até de exame de próstata

A aposentada Osny Rios Santos teve uma surpresa ao tirar o extrato de sua conta. Um desconto de R$ 2,8 mil foi feito pela operadora PHS Saúde. A explicação era uma dívida antiga que a empresa havia esquecido e resolveu cobrar tudo de uma vez da idosa.

"A cobrança foi em outubro. Procurei o banco e consegui reverter. Depois, novamente eles cobraram. O banco cancelou o pagamento e eu tirei a autorização para débito automático", conta.

Segundo dona Osny, a PHS disse que os R$ 2,8 mil eram referente ao pagamento da coparticipação de maio de 2008 a setembro de 2010, que não foi cobrada da idosa por conta de problemas no sistema operacional da empresa.

"Eu comuniquei várias vezes a empresa, mas eles disseram que estavam com problemas e que não podiam fazer nada. Agora, eles resolveram cobrar 30 meses de uma vez. Fui a PHS diversas vezes e só no final de dezembro me passaram um relatório detalhado das cobranças. A princípio a PHS não queria me informar. Quando analisei o documento vi que até exame de próstata estava sendo cobrado de mim", explica.

Empresa reconhece erro no sistema
O outro lado


O PHS reconhece que ocorreu um erro no sistema operacional do plano, o qual deixou de contabilizar durante o referido período valores referentes à coparticipação. A operadora entrou em contato com a associada Osny Rios Santos para negociar melhores formas de pagamento e se colocou à inteira disposição para parcelamentos e outras facilidades, além da verificação de possíveis erros na cobrança de procedimentos. A operadora ressalta que preza pelo bom relacionamento com o usuário e não medirá esforços para buscar soluções que satisfaçam a ambas as partes. Destaca, também, que atende com rigor às normas regulamentadoras da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e esclarece que se trata de uma cobrança devida, respaldada legalmente. O PHS ressalta, ainda, que neste ano o plano passará por um processo de reestruturação, com foco na promoção de melhorias para elevar ainda mais qualidade e agilidade nos serviços. Entre as prioridades, a ampliação da rede credenciada. Além disso, a operadora já deu início a investimentos para melhoria e otimização de sua rede de Totais Clínicas, que atenderão os clientes com maior conforto, tranquilidade e agilidade. As Totais Clínicas são unidades próprias para realização de consultas médicas em várias especialidades.

Fonte: Gazeta Online

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar